O mundo está unido numa visão singular da ciência? É complicado...
Em todo o mundo, as pessoas estão intrigadas com a ideia de ciência. Reconhecem e apreciam o modo como a ciência impacta o mundo à escala global, e 90% afirmam que quando ouvem a palavra "ciência" se sentem esperançosas versus desmotivadas (10%). Mas, se aprofundarmos um pouco mais, surge uma história mais complexa: 38% consideram que as suas vidas não seriam muito diferentes se a ciência não existisse e cerca de um terço cai no grupo dos céticos da ciência.
Perguntámos aos americanos com quem preferiam jantar e conversar: Bill Gates, ou Taylor Swift? (72%) escolheram Bill Gates. E, na verdade, as respostas de todos os países mostram que, globalmente, os cientistas têm uma ligeira vantagem sobre os ícones da cultura pop. Apenas 32% escolheram um cientista, enquanto apenas 27% mostraram preferência por um ícone da cultura pop. O que levanta a questão, os cientistas quebraram os obstáculos ao estatuto de celebridade? Estamos numa época em que um inventor aposentado intriga mais americanos do que um ícone pop moderno.
A consciência da "ciência" e de como esta impacta o mundo, é invisível para demasiadas pessoas. Quase 40% das pessoas pensam que a vida quotidiana não seria muito diferente se a ciência não existisse de todo. É quase metade da população. Menos de um quarto acreditam que a ciência tem um impacto "totalmente positivo" no seu quotidiano (22%). E, sobre o impacto da ciência no seu quotidiano, 66% pensam "um pouco a nunca".
87% das pessoas em todo o mundo encontram na ciência mais fascínio do que aborrecimento. Inicialmente, esta notícia foi motivadora. Ao investigar um pouco mais, percebemos que há um terço (32%) de céticos da ciência. Perceções negativas e indiferença à ciência entre os céticos variaram em toda a investigação. Por exemplo, 49% dos céticos consideram a ciência "aborrecida" versus "fascinante" em comparação com 12% de não-céticos. E é ainda mais provável que os céticos da ciência (60%) acreditem que a vida não seria muito diferente se a ciência não existisse (contra 38% em toda a investigação).
Apesar das vantagens universais que nos proporciona — tais como a segurança, a comodidade e a interconetividade — a ciência que acompanha o nosso quotidiano é tão omnipresente que a ignoramos. Embora 63% por cento reconheçam a ciência como "muito importante" para a sociedade, apenas 46% consideram a ciência "muito importante" no seu quotidiano. O número diminui ainda mais entre as mulheres (apenas 40% consideram a ciência importante na sua vida quotidiana). E, nos países desenvolvidos, ainda menos pessoas consideram que a ciência é importante na vida quotidiana, apenas 37% (contra 56% nos mercados emergentes).
Já ouviu um amigo dizer que desejava ter escolhido outra carreia? Verifica-se que a maioria (54%) da população mundial adulta não se arrepende de ter seguido uma carreira fora da área da ciência. Por outro lado, isso significa que quase metade de nós desejaria ter seguido uma carreira na ciência. No entanto, quando se trata da próxima geração, os adultos estão alinhados: nada menos que 82% dizem que "incentivariam os filhos a seguir uma carreira na área da ciência". Porquê? Os adultos podem estar a pôr a responsabilidade de resolução de problemas futuros na próxima geração; ou talvez vejam uma carreira na área da ciência como uma escolha inteligente, capaz de trazer maior estabilidade e segurança económica à próxima geração. De qualquer forma, a próxima geração atua como unificador quando se trata do sentimento em relação à ciência em todo o mundo, independentemente de serem apoiantes ou céticos da ciência
Quando se trata do futuro da ciência, o otimismo prevalece. 66% dos adultos descrevem o impacto científico do futuro como "emocionante" e 62% acreditam que os melhores dias da ciência ainda estão para vir. Muitos de nós acreditam nas inovações aparentemente míticas, tais como carros voadores ou vida submarina. A geração do milénio está particularmente convencida: quase um em cada seis (58%) acreditam que os carros voadores vão surgir durante a sua vida, contra 51% em toda a população inquirida.
As perceções do Estudo sobre o Estado da Ciência levam a 3M a concluir que, embora as atitudes a favor e os sentimentos relativamente à ciência sejam complexos, a ciência precisa de um campeão. Embora 87 por cento dos adultos afirmem o seu fascínio pela ciência, e não o seu aborrecimento, o estudo também revela um surpreendente ceticismo e indiferença relativamente à ciência em todo o mundo.
A 3M espera que o Estudo sobre o Estado da Ciência origine um debate sobre a ciência e o seu importante papel no mundo. Pensamos que há uma oportunidade para todos nós na comunidade científica, para inspirar as pessoas a estar mais conscientes do papel da ciência à sua volta e para ligar os pontos entre a ciência e o respetivo impacto na sua vida quotidiana.
Esperamos que esta informação conduza ao reconhecimento de como a imagem, o impacto e as expectativas da ciência são percecionadas em todo o mundo. Convidamos os entusiastas a utilizar estas perceções para falar sobre as lacunas que nós, na comunidade científica, precisamos de preencher e para fazer a nossa parte na promoção da ciência.